Férias (sic). Quando o Barro é mais Molhado.

A maior parte das crianças interagindo no Barro, que têm de zero e seis anos, não frequenta nenhuma escola. Mesmo assim, as férias escolares de alguma maneira afetam profundamente nossa dinâmica, em um bom exemplo de como a escolarização está mais arraigada na nossa cultura do que gostaríamos. Mas isso é outra conversa. 

O fato é que essas férias têm sido bem diferentes das primeiras – em janeiro – na nossa curta porém intensa história de nove meses. 

Se daquela vez houve uma verdadeira pulverização (deveras angustiante para mim, diga-se), dessa, o que se tem visto é o Barro sendo mais Barro. Mais molhado.

Sim, é preciso um mínimo de organização para operar no dia-a-dia e é preciso admitir que ainda não vivemos no mundo que ainda estamos construindo. É só por isso que ainda temos duas coisas fadadas à obsolescência, a meu ver: encontros “oficiais” e guardiões “oficiais”.

Vejam bem, como boa canceriana com ascendente em virgem que sou, estou louca para nossa rotininha voltar ao normal, com quatro encontros de crianças e uma reunião de adultos por semana, naqueles mesmos bat-horários e bat-locais. Mesmo assim, posso reconhecer que é nesse vazio que ficamos mais abertos a nos renovar e a fazer o que o barro quer, como reza o poema que o Angelo lembrou aqui.

Num rápido scroll no grupo, tem-se um vislumbre de indivíduos perfeitamente autônomos se articulando para formar seus próprios encontros “extra-oficiais”. É o off-Barro. Eu to achando lindo.

Essa sexta fomos na casa da Marina. Não tinha proposta, não tinha guardião designado, não tinha plano nenhum além de estarmos juntos. Renata foi sem filhos, e buscava fotos do Barro no computador da Marina para um projeto pessoal quando ouviu resmungos desgostosos vindo da sala. Ela fez o óbvio: levantou e foi ver quem precisava de ajuda. Não foi preciso que lhe dessem o título de guardiã, ela mesmo o tomou para si, naquele momento. No dia anterior, Marcela me relatava um episódio ocorrido semana passada na praça, que a fez pensar sobre algumas questões. Refletimos, então, sobre os aprendizados daquele caso, sem que ninguém precisasse marcar uma “Reflexão sobre a prática”, como se chamam nossas deliciosas reuniões de quinta à noite.

São dois exemplos bobos, mas que simbolizam para mim um pouco o que é o Barro. Essa, aliás, tem sido a pergunta do bilhão. Barro quem?? Apesar de rejeitar definições, me pego tentando compor uma resposta que caiba numa viagem de elevador. Ainda não cheguei lá, mas me veio a palavra fenômeno. O Barro é um fenômeno da natureza humana, ao qual observamos como fazemos com a chuva ou o vento, com a diferença que nesse caso, somos também autores do fenômeno. E aí, vamos fazer um arco-íris amanhã?

 

 

 

 

 

 

 

   

 

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2 ideias sobre “Férias (sic). Quando o Barro é mais Molhado.

  1. André

    Barro Molhado é fundamentalmente Terra (solidez, enraizamento) e Água (mobilidade, fluidez). Fogo e Ar demais e ele seca, endurece, pode quebrar.

    Penso que todo sentido da existência do Barro é que o Off-Barro possa se manter vivo, criativo e potente.

    😉

    Resposta

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