Como amassar um Barro

Depois de descobrir alguns quens do Barro, vamos a alguns comos. Ainda firmes na missão de jogar a pergunta “o que é o Barro” para debaixo do tapete, partamos para a bastante mais fácil partilha das iniciativas de algumas dessas pessoas que conhecemos melhor na série anterior.

Esse é um apanhado parcial e intransferível. Para informações mais confiáveis, investigue melhor com as partes envolvidas.

Reflexão sobre a prática Eis a barata do Barro. A única espécie sobrevivente do nosso paleolítico – no caso, o ano de 2013. Renato Stefani vem enfrentando bravamente os desafios de lidar com um bicho tão cheio de história para re-ressignificá-lo mais uma vez. É o encontro dos adultos, o cômodo da “casa barro” onde coletivamente voltamos o foco para nós e…, bem, refletimos sobre a prática! Nos primórdios, essa prática dizia respeito ao campo das crianças. Já que nos propúnhamos a criar algo inédito, no lugar de seguir qualquer pedagogia/ filosofia/ abordagem, era preciso falar disso que estávamos criando. Nesse espaço, pudemos fazer coisas incríveis como passar um par de horas dissecando as emoções e sentimentos que emergiram quando um adulto acompanhava uma criança no trepa-trepa. Dos pares de horas mais cheios de aprendizado coletivo já visto por aqui, diga-se.

Hoje, a prática ainda diz respeito às crianças, mas o conceito se expandiu e inclui a toda a comunidade. Esse é o ponto de encontro das diversas iniciativas que surgem no Barro ao mesmo tempo que é, ela própria, uma iniciativa independente, auto-gerida e potencialmente ligada a todas as outras. A reflex, como tb é carinhosamente conhecida, acontece toda quinta-feira às 19h30. O local costuma ser definido na véspera, para dar uma emoção. Todos são sempre bem-vindos, com ou sem a contribuição sugerida de R$ 25.

Baby Barro Cena 1: Mãe descabelada, com a voz apagada, olheiras profundas e um mimimi que nem ela aguentava mais. Corta para: Mulher de cabelos vistosos, brilho no olhar e um sorriso irresistível, contando o que fez de bom nos últimos dias. O que aconteceu com ela? Baby Barro. O fato é que, além de educação, a escola oferece outra preciosidade para os pais: tempo sem os filhos.

O Baby Barro veio atender essa necessidade. Bianca Lopresti montou um sistema tão simples quanto brilhante: um adulto cuida de três ou quatro crianças por um período de quatro horas, na casa de uma delas. As mães dessas crianças, por sua vez, cuidam desse adulto. A maioria usa o dinheiro para fazer isso, que apesar de estar em baixa conta em alguns meios, ainda é um formato bastante eficiente de fazer as trocas que a gente precisa no mundo. E contrariando a máxima de que se melhorar, estraga, o projeto ganhou a presença do Renato, aquele mesmo da Reflexão. O papel dele, aqui, é apoiar a Bianca no propósito de fazer disso mais do que um serviço. Afinal, se fosse só uma questão de oferecer tempo sem os filhos, tem aquele outro pessoal fazendo isso há bem mais tempo, de um jeito bem mais fácil e organizado: as escolas.

Baby Barro: a Bianca cuida das crianças e os pais ganham um tempinho para cuidar de si.

Baby Barro: a Bianca cuida das crianças e os pais ganham um tempinho para cuidar de si.

Rolezinho Uma das confusões clássicas que as pessoas fazem quando primeiro entram em contato com a ideia do unschooling é achar que por não ir à escola a criança fica em casa o dia todo, meio sozinha, conversando com a samambaia. Em vez de se educar na escola, a criança se educaria em casa. Bem, na nossa experiência, parece exatamente o contrário: a criança não tem menos contato com o mundo, tem mais, beeem mais contato com o mundo. E mundão pra valer, mundo com ônibus, metrô, parque, mendigo, obra, museu, briga de trânsito, beijo na boca no sinal, filmagem de comercial, e o lindo é que essa lista não tem fim.

Desejosos de proporcionar às crianças essa descoberta dos espaços públicos, Renata Idargo, Vicente Goes e Maria Barretto criaram o Rolezinho. São passeios semanais planejados e pensados para aquele grupo específico de seis ou sete crianças, a partir da observação dos interesses e curiosidades de cada um. Além do encontro com a cidade, o rolezinho explora esse momento da criança sem os pais, num espaço desconhecido. É muita aventura!

Rolezinho: pequenos exploradores

Rolezinho: pequenos cidadãos

Blog Este mesmo que vos fala. Sabe quando você lê um livro ou vê um filme e passa o resto da vida perturbando todas as pessoas ao seu redor para que elas também o leiam ou assistam? Pois é, minha história aqui vai nessa linha, com o agravante de que o livro, no caso, está sendo co-escrito por mim. Vivemos coisas tão improváveis e maravilhosas e surreais por aqui, que eu preciso que o mundo todo fique sabendo. De acordo com as estatísticas do wordpress, estamos um pouco distantes dessa meta (o mundo todo), mas os saltos quânticos estão aí para não nos deixar desanimar! A ideia é publicar com frequência bem maior do que a atual. Se você acha essa uma boa ideia, sua contribuição é bem-vinda e desejada, através de comentários, sugestões, conteúdo. A novidade é que agora quem quiser também pode contribuir financeiramente, aqui.

Sistema Restaurativo Ninguém melhor do que o pai da criança para explicar:

Estamos em pleno processo de instalação do nosso SR. Somos um grupo de 11 pessoas que já fizeram quatro encontros de um total de provavelmente sete ou oito. No último, começamos a desenhar os procedimentos desse sistema, ou seja, como ele vai funcionar na prática. Uma vez instalado, todo mundo vai saber como acessá-lo. Estão no grupo o Renato, a Bianca, a Maria e eu, de quem já falamos acima, e mais o Angelo Mundy e a Joana Junqueira, de quem ainda falaremos, além da Tuca Petlik, que entrou recentemente no Barro com força total e da Patricia Sogayar, mãe do Famílias Educadoras, uma espécie de antepassado ancestral do Barro. Facilitando o processo estão as três gurias feras da Comunicação Não-Violenta: Ana Terra, Maria Dias e Adriana Sumi.

Grupo de estudos/ prática CNV “A CNV se funda em ferramentas de linguagem e comunicação que fortalecem nossa capacidade de permanecer humanos, mesmo em condições desafiadoras” – Marshall Rosemberg

Se tem uma coisa que eu arrisco dizer que é quase um consenso no Barro é a ideia de que colocar ou não o filho na escola não é o mais importante. O ponto aqui é muito mais tirar a escola de dentro de nós. É bem verdade que uma vez esse processo iniciado, ele fatalmente vai influenciar na escolha em relação à educação do próprio filho, mas isso tende a funcionar melhor se acontece nessa ordem. Pois bem, esse “tirar a escola de dentro de nós” é um longo percurso que cada um vai desenhando para si mesmo. A CNV faz parte do meu. Só que ela só gera a transformação que eu quero quando ela entra do dia-a-dia. São 30 anos, no meu caso, que eu preciso desconstruir, não basta ler um livro e participar de uns cursos – é preciso praticar.

Esse encontro nasceu para isso. Na experiência de quem já participou ou facilitou grupos assim, eles vingam quando têm entre 4 e 12 participantes, uma periodicidade regular, horário e local fixo e quando as pessoas se comprometem com a assiduidade e se responsabilizam com o próprio aprendizado. Vamos ter um encontro inicial no Mamusca, no dia 10 de março, quando provavelmente criaremos mais de um grupo, já que entre confirmados e “talvez”, temos quase 60 pessoas. As inscrições vão até o dia 9, aqui.

VIDA PRÁTICA As mãos são o caminho para o nosso cérebro. Essa observação do começo do século 20, feita pela médica e educadora italiana Maria Montessori, hoje está amplamente comprovada pela ciência. Para desenvolver-se plenamente, as crianças precisam colocar a mão na massa, manusear e experimentar o mundo ao seu redor. Esse curso que a Joana Benetton oferece, tem a intenção de sensibilizar os pais para essa necessidade das crianças e propor ferramentas para atendê-la. São duas turmas: uma que fala do período de 0 a 3 anos e outra que aborda dos 3 aos 6. Os encontros são semanais, por um período de dois meses.

CORUJAS É com muita gratidão e boas lembranças que nos despedimos por hora da Praça Gastão Vidigal, depois de um ano de encontros toda segunda e algumas terças. Começamos 2015 com vontade de visitar novas paragens e nos envolver com outras comunidades. A Praça das Corujas tem tudo a ver com o Barro e a horta comunitária pode ter a ver com isso. Nossa presença lá ainda está em construção, mas a ótima notícia é que esses novos ventos acabaram trazendo de volta duas pessoinhas que estavam fazendo muita falta no dia-a-dia: o Angelo e a Fernanda Barsotti. Ambos estarão pelo menos uma vez por semana lá, regularmente, cada um com sua proposta. Além disso, a Joana vai começar em breve um encontro às terças, estruturado nos princípios Montessori.

Praça das Corujas: nossa nova casa ao ar livre

Praça das Corujas: nossa nova casa ao ar livre

PROCESSO FORMATIVO A filósofa e terapeuta Regina Favre conduz esse encontro que vem acontecendo uma vez por mês, num chamado da Maria Barretto. Lá, procuramos trazer para o corpo as sensações e trabalhar em cada um o coletivo. O quarto encontro será no dia 22 de março. Aqui você pode acessar uma colheita da última sessão.

GRUPO DO FACEBOOK  Para participar de qualquer uma das iniciativas acima, esse é um bom começo. As portas estão sempre abertas. Vem!

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Uma ideia sobre “Como amassar um Barro

  1. walter tabax

    Olá, tudo bem? Hoje amiga minha Gigi Trujillo me encaminhou informações do seu trabalho e site inclusive dizendo que haverá o primeiro encontro hoje. Segui no site de vcs o link para este encontro, mas retorna página não encontrada. Há como passar estas informações para o meu email aqui registrado? Obrigado

    Resposta

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