Arquivo da categoria: nossa história

O sonho do Renato

Por Renato Stefani

Nesta semana, tive um sonho. Foi a primeira Reflexão sonhada.

Sonhei com caixas de memórias da minha infância. Nesse sonho, fui enviado a uma espécie de ruína da minha primeira casa, que se mantinha vazia dos móveis e pessoas que conhecia e se fazia lotada de caixas de lembranças. Brinquedos, fotos, histórias, manhãs de corrida, tardes deitadas sob o pé de laranja com o colchão papelão, o pano de prato sempre transformado em capa dos meus heróis e heroínas, o enfeite da porta da maternidade, o palhaço de encaixar, caixas, caixas de vestígios. Eram inúmeras partes de mim mesmo ali expostas, como se eu fosse o visitante da exposição do museu da minha própria existência.

Continuar lendo

Como amassar um Barro

Depois de descobrir alguns quens do Barro, vamos a alguns comos. Ainda firmes na missão de jogar a pergunta “o que é o Barro” para debaixo do tapete, partamos para a bastante mais fácil partilha das iniciativas de algumas dessas pessoas que conhecemos melhor na série anterior.

Esse é um apanhado parcial e intransferível. Para informações mais confiáveis, investigue melhor com as partes envolvidas.

Reflexão sobre a prática Eis a barata do Barro. A única espécie sobrevivente do nosso paleolítico – no caso, o ano de 2013. Renato Stefani vem enfrentando bravamente os desafios de lidar com um bicho tão cheio de história para re-ressignificá-lo mais uma vez. É o encontro dos adultos, o cômodo da “casa barro” onde coletivamente voltamos o foco para nós e…, bem, refletimos sobre a prática! Nos primórdios, essa prática dizia respeito ao campo das crianças. Já que nos propúnhamos a criar algo inédito, no lugar de seguir qualquer pedagogia/ filosofia/ abordagem, era preciso falar disso que estávamos criando. Nesse espaço, pudemos fazer coisas incríveis como passar um par de horas dissecando as emoções e sentimentos que emergiram quando um adulto acompanhava uma criança no trepa-trepa. Dos pares de horas mais cheios de aprendizado coletivo já visto por aqui, diga-se.

Continuar lendo

No início era o verbo

Dando a largada na série “recordar é viver”, segue textinho que escrevi nas ‘férias’ de janeiro deste 2014. Ele estava aqui nesse blog e no grupo do FB como nossa apresentação. Mas já faz algum tempo que, felizmente, ele não nos apresenta mais (sinal de que o barro continua molhado!).

xxx

De outubro a dezembro de 2013, um grupo de cerca de 15 famílias e cinco educadores se encontrou três vezes por semana e em alguns domingos.

Esses encontros foram resultado do sonho de algumas pessoas que se conheceram no Mamusca, em agosto do ano passado, e que tinham em comum o desejo de co-construir um outro paradigma de educação.

Educação ativa, livre, viva; unschooling, desescolarização; comunicação não-violenta; Ana Thomaz, Margarita Valencia, John Holt, Maturana, José Pacheco. São alguns conceitos e vozes que se ouviram nesses encontros.

Lemos bastante, fizemos vivências e oficinas, mas desde o início a proposta era ir para a prática: observar as crianças, se observar e ir amassando o barro molhado dessa rede-grupo-equipe que ainda não tem nome.

Terminamos este primeiro período-teste celebrando as muitas perguntas e ao menos uma grande certeza: quem tem mais a (des)aprender nesse processo somos nós, os adultos. Este pretende ser um campo seguro para isso.

No dia 3 de fevereiro, retomamos os encontros. Nesse próximo período-teste, que vai até junho, estaremos todas as segundas e terças na Praça Gastão Vidigal.

Quando estivermos reunidos, a intenção é interferir o menos possível, abrindo espaço para que a essência de cada criança floresça. Como fazemos isso? Essa é a pergunta geradora da nossa pesquisa diária.

Uma descoberta desses primeiros meses foi que não faz sentido falar de mudança de paradigma na educação sem mudar a relação com o dinheiro.

É por isso que, para participar, não há um preço, uma mensalidade ou qualquer coisa do gênero. Isso não significa que o projeto seja gratuito. Para sustentar a vida das pessoas que amassam esse barro e pagar os custos para que os encontros aconteçam, temos uma meta financeira a alcançar, que será divulgada periodicamente.

Funcionamos em co-responsabilidade financeira: contribuição voluntária, distribuição negociada de recursos.

A frequência aos encontros não está linearmente relacionada à contribuição financeira e vice-versa. É possível contribuir e não frequentar fisicamente ou frequentar muito pouco.

Crianças de todas as idades são bem-vindas, de 0 a 100 anos