Laboratório

Esse Laboratório não acontece mais, mas seu manifesto continua vivo nas nossas práticas.

Nos encontros de quinta-feira (Laboratório), os quais hoje têm como guardiãs Fernanda, Sofia e Maria e vêm acontecendo desde fevereiro, buscamos trabalhar o silêncio, a auto-observação (o que é meu, o que é da criança) e o cuidado com as ações – ou seja,  não simplesmente reagir a uma situação por hábito, medo, pressa, mas tomar a consciência de seus atos. Por isso dizemos que temos como princípio fundador a mínima intervenção adulta. Muitas vezes, antecipamos resoluções e atravessamos a dinâmica estabelecida entre as crianças, ou o processo de uma única criança; nesse sentido, é preciso observar quando e como a intervenção é realmente necessária.

A proposta da mínima intervenção não pressupõe a não interação com a criança. Pelo contrário, trata-se de conectar-se com ela no momento presente e, a partir disso, perceber e reconhecer a gênese das suas emoções. Nesse momento, conseguimos nos desvencilhar da tentativa de dizer para a criança o que é melhor para ela e deixamos que ela siga no seu tempo, com a sua habilidade, superando-se, conquistando confiança, ganhando autonomia. Estar no momento presente, portanto, significa nos isentarmos de expectativas, medos, hábitos de relacionamento.  Estarmos em flow conosco mesmo e com as crianças.

Na nossa experiência, o exercício da auto-observação possibilitou percebermos que muitas das vezes em que não reagimos a uma situação que nos era incômoda, as crianças lidaram com ela de maneira fluida e resoluta. E quando não propusemos atividades/brincadeiras elas mesmas criaram (ou não) o que fez sentido para elas. Além disso, elas mostraram novas possibilidades de resolução para o conflito que romperam completamente com a lógica a que estamos acostumados. Se estamos em um grupo que pesquisa e discute novos paradigmas de educação, porém tem entre seus membros somente adultos escolarizados, como podemos encarar e nos apropriar dessa realidade de desescolarização?

Acreditamos que quanto mais conectados com o que é nosso e presentes na situação compartilhada com a criança, menos cederemos aos impulsos de imposição de “verdades”. Quanto mais conectados, mais abertos estaremos para aprender com as crianças como se dá a entrega delas, seu estado de presença e o descarte de fórmulas pré-concebidas para mediação de conflitos e brincadeiras.

Outro aspecto que consideramos essencial para esse trabalho é a quantidade de adultos presentes no local. Nesse momento de laboratório, em que ainda estamos experimentando a nossa presença, a não-intervenção e o alinhamento entre os adultos é importante que a dinâmica infantil prevaleça. É preciso que elas se sintam potentes o bastante para que não recorram (ou recorram menos) ao adulto em momentos de aflição. Portanto, se for do desejo/necessidade dos pais deixar seus filhos no encontro, trabalharemos juntos para que isso aconteça de maneira respeitosa e cuidadosa. Caso esse desejo não seja presente, recomendamos o encontro da praça (com Vicente de Guardião), lembrando que esta iniciativa é um laboratório e o Barro tem (ou pode ter) outras iniciativas para dar conta das necessidades de cada um de nós, sendo estas alinhadas com o principio do grupo.

Confirmamos nosso compromisso em levarmos observações e situações ocorridas nesses encontros para a Reflexão sobre a Prática.

Convidamos a todos a experimentarem essa proposta com a gente. Para isso, a nossa sugestão é estabelecer uma dinâmica periódica rotativa: receberemos um adulto por vez, além dos guardiões, por no mínimo 4 encontros, tempo que poderá ser expandido conforme o desejo/necessidade dos envolvidos. Essa abertura visa engajar mais pessoas nessa prática de mínima intervenção, silêncio e auto-observação. Quem se interessar, fale com a gente.

É importante frisar que a idéia de guardião, aqui, está associada ao cuidado de uma atmosfera criada por adultos e crianças. Por isso, o guardião é responsável por cuidar e organizar os espaços que serão apropriados pelas crianças (considerando suas necessidades) e zelar pelo fluxo de conexão entre elas e os adultos presentes.

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3 ideias sobre “Laboratório

  1. Carolina Mathias Moreira

    Olá, gostaria muito de participar desse laboratório! Tenho um filho de 19 meses. Atualmente não estou trabalhando, só que moramos em Bragança e não tenho como participar mais de um dia por semana. Poderia ir só nas quintas-feiras, é possível?

    Resposta
    1. anafialho Autor do post

      Olá, Carolina! vc é muito bem-vinda para participar quantas vezes e com a frequência que quiser das atividades do barro! esse encontro do laboratório não está acontecendo no momento… venha numa segunda-feira na praça gastão vidigal! normalmente estamos lá das 15h às 18h.

      Resposta
  2. Cristina Cavalcante Machado

    Olá li um pouco do site e me sento feliz por encontrar vocês nem mundão de São Paulo. Quero muito encontrar, trocar, cocriar com vocês.
    Sou psicóloga e estou cursando pedagogia e a cada dia da minha prática profissional tenho mais consciência de que a escola tem sido uma prisão para crianças e adultos.
    Um abraço fraterno,
    Cris

    Resposta

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